Para uma conferência internacional sobre alterações climáticas, a logística de Cancún deixa muito a desejar. A maioria dos participantes está alojada em hotéis literalmente em cima da praia, na famosa zona hoteleira, mas a quilómetros de distância do centro de conferências Cancunmesse.
Este parque de feiras fica a meia hora de autocarro dos hotéis, após um percurso fortemente guardado pela polícia e pelos militares mexicanos. No Cancunmesse estão instaladas as ONG e funcionam as salas de algumas delegações e dos inúmeros eventos paralelos. Mas só entram os participantes, sejam eles representantes da sociedade civil, membros das delegações ou jornalistas, pelo que a feira das ONG acaba por ter um público algo limitado.
Para complicar, as negociações não decorrem aqui, mas noutro local afastado meia dúzia de quilómetros, para onde é preciso apanhar mais um autocarro. É certo que os muitos autocarros têm os depósitos cheios de biodiesel, mas é impossível não pensar que faria mais sentido ter tudo no mesmo local. A situação não é do agrado das ONG, que se sentem afastadas do Moon Palace, o hotel de luxo onde decorre a COP16. Esta distância da cimeira e o fantasma de um fracasso deixam no ar um clima de descontentamento só superado pelo excessivo ar condicionado na maioria das salas da COP.