Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente publicado esta semana mostra um enorme intervalo entre as emissões reais e expectáveis e as necessárias para garantir que não se excede um aumento de 2º C em relação à era pré-industrial (nem sequer 1,5 ºC como a ciência já indica). É fundamental assim reduzir a distância deste intervalo de Giga-toneladas!
Assim, como em Cancún não se conseguirá chegar a um acordo final por agora, mas a um caminho claro para o futuro, as associações de ambiente alertam para os pontos que são necessários considerar nesta Conferência:
- uma redução em pelo menos 40% das emissões em 2020 em relação a 1990 por parte dos países desenvolvidos;
- regras honestas para o uso do solo e alterações do solo e floresta que impeçam não contabilizar 450 milhões de toneladas de emissões associadas a esta área;
- garantir a integridade ambiental impedindo a passagem para próximos períodos de direitos de emissão de diversos países que ficaram muito aquém das suas metas por razões económicas estruturais como acontece com muitos países do leste europeu;
- manter 1990 como o ano base para facilitar a comparação de esforços entre países;
- estabelecer um período de compromisso de 5 anos que se sincronize com os dados científicos dos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, da sigla em inglês);
- forte acção interna pelos países na transição para uma economia carbono zero nos países desenvolvidos;
- deve-se apostar mais em projectos no mecanismo de desenvolvimento limpo que tragam benefícios em termos de desenvolvimento sustentável mais do que fontes duvidosas de créditos como a captura e armazenamento de carbono (CCS, da sigla em inglês)
- usar a mais recente ciência providenciada pelo do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas;
- apelar à Organização Marítima Internacional e à Organização da Aviação Civil Internacional para tomar medidas de contenção do aumento das emissões absolutas destes modos de transportes a usar o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas, não penalizando por exemplo os países em desenvolvimento.
As modalidades previstas no Protocolo de Quioto têm o potencial de conseguir uma efectiva e real redução de emissões. Podemos ter truques para iludir a acção, mas o relógio do clima não pára e não se deixa enganar…