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Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Final da Conferência de Cancún: Negociações climáticas retomam o caminho depois do desaire em Copenhaga

Os líderes deixaram Copenhaga para trás e colocaram as negociações do clima novamente nos eixos. Devolveram alguma confiança e começaram a construir um espírito de colaboração em varias áreas. Os países avançaram alguns passos em direcção a um verdadeiro acordo climático, e há novos países a emergir como lideres.

As decisões tomadas hoje na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Cancún no México, terminaram duas semanas de negociações difíceis e complexas envolvendo delegados, ministros e chefes de Estado. A Quercus acolhe parcialmente o resultado algo misto mas esperançoso que neste momento crucial são fundamentais para se atingir um novo acordo internacional sobre o clima.

A vontade política para uma acção vigorosa ainda não é suficientemente forte para uma resposta global adequada para fazer face à ameaça climática, mas as acções nacionais mostram que os países reconhecem a necessidade e os benefícios de uma economia verde, e as conversações no quadro das Nações Unidas requerem essa confiança.

De uma forma geral, os resultados de Cancún são mistos. No lado positivo, um número de progressos específicos incluindo o estabelecimento de um Fundo Climático Verde, um processo para avaliar os diferentes aspectos das perdas e danos causados pelas alterações climáticas e o registo das acções dos países em desenvolvimento assegurando suporte financeiro para a sua implementação. As decisões reconhecem também que as actuais metas de emissões não são suficientemente ambiciosas e que os países têm que estabelecer limites mais restritivos num ambiente de contabilização transparente que permita uma real avaliação do progresso das mesmas.

Continuam também a existir vários aspectos negativos relevantes. A Conferência não avançou na questão crucial da definição do futuro quadro legal climático e não estabeleceu um calendário para tal ser decidido. Algumas falhas importantes no Protocolo de Quioto como o excesso de direitos de emissão atribuídos a alguns países e as emissões da desflorestação, estão ainda por resolver. Não há ainda decisão sobre as fontes adicionais de financiamento ou mesmo um processo para as identificar.

A Quercus ficou muito satisfeita por ver a União Europeia contribuindo positivamente em áreas relevantes tais como a continuação do Protocolo de Quioto. É porém necessário impedir falhas que põe em causa a  integridade ambiental de algumas decisões. Muito trabalho é pois ainda necessário. Os países têm de olhar para os novos dados da ciência que apontam para a necessidade da temperatura não aumentar mais que 1,5 ºC em relação à era pré-industrial. A União Europeia, neste sentido, tem de passar urgentemente para uma meta unilateral mais ambiciosa que os 20% actuais de redução entre 1990 e 2020, fixando-a em 30%. Portugal deve activamente defender este compromisso que deve ser tomado antes da próxima Conferência em Durban, na África do Sul, dentro de um ano.

Temos assim um caminho muito muito longo pela frente e um número de aspectos fundamentais que necessitam de mais trabalho. Os países necessitam de fechar o intervalo de gigatoneladas   (1 Gt = 1 000 000 000 toneladas), entre os compromissos em cima da mesa e os que a ciência exige; de assegurar que o Fundo Climático Verde é suportado por fontes públicas seguras; de implementar os programas de acção sobre adaptação, reduzindo a desflorestação, e de efectuar as transferências de tecnologia estipuladas em Cancún; e ainda de trabalhar para a segurança do Protocolo de Quioto e de um resultado complementar vinculativo sob a Convenção Quadro.

O progresso obtido aqui em Cancún foi possível apesar de um conjunto de países que dificultaram o consenso e avanços bem mais profundos, como os casos do Japão, Canadá, Rússia e Estados Unidos, em claro contraste com posições de países como a Índia e a China que aceitam traçar metas de emissões para o futuro, mesmo que voluntárias.

Há que aproveitar o ambiente favorável da Cimeira de Cancún no caminho para Durban, que pelo menos permitiu ultrapassar o desaire negocial de Copenhaga no ano passado, num ambiente de maior transparência, confiança e multilateralismo.

Num final dramático, onde a oposição da Bolívia, que afirmou que os textos finais não asseguravam a continuação de um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, não estabeleciam datas nem percentagens de redução de emissões, e se estava a caminhar para um sistema não vinculativo que resultará num aumento de temperatura de 4º C, a Presidente da Conferência considerou os documentos adoptados por consenso, com a oposição formal daquele país.

 

Cancún, 11 de Dezembro de 2010

A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

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por Quercus às 09:49
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8 comentários:
De Governo a 11 de Dezembro de 2010 às 17:45
Impostos! Impostos! Queremos mais impostos! Se pudesse taxar o ar que as pessoas respiram ou o espaço que ocupam, já o teria feito! O povo, miserável, nao interessa para a equaçao e apenas esta aqui para nos dar dinheiro... sao como os porcos e as vacas no matadouro.
De José Paiva a 11 de Dezembro de 2010 às 16:52
É interessnte de constantar que enquanto estes ainda andam a discutir o Global Warming, os Bilderbergs que andam sempre um passo à frente nestas coisas, em Junho passado, em Espanha, entre muitos outros assuntos de interesse mundial discutiram foi o Global Cooling. Podem ver no site : http://www.bilderbergmeetings.org
Passados mais de cinquenta anos decidiram deixar de ser tão secretos... provavelmente porque já não vale a pena... vejam também a lista dos participantes nas reuniões anuais...
De O9BSERVADOR a 11 de Dezembro de 2010 às 16:18
Pergunto: jaa foi traduzido para portugues L'IMPOSTURE CLIMATIQUE OU LA FAUSSE ECOLOGIE da autoria de Claude Allègre? Trata se de uma obra altamente esclaredcedora dos problemas resultantes das mudancas climaticas. Alguem me pode respender? mto obrigado.
De Mário Fidalgo a 11 de Dezembro de 2010 às 14:17
A informação tal como está tem um mérito relativo.
A Europa, melhor a UE, pois Rússia também é Europa,
está neste momento a tentar aparecer como grande paladina desta questão depois de ter transferido para Oriente, quase todas as industrias poluentes,
mas mantendo a sua posse no que respeita à produção, como o faz na Turguia, no Paquistão, na India, nos países do Pacífico Sul e na China, mas aqui com dificuldades acrescidas, por não controlar a produção...Mas é preciso não esquecer que o desenvolvimento dos países Norte da Europa foram os que tiveram nos anos 70 e 80 as chuvas àcidas que mataram as florestas e só com a ajuda da Unesco, conseguiram para já parcialmente ter uma flora saudável, em zonas de densidades populacionais muito baixas...
É preciso lembrar também que continuam a ser os países que continuam a construir as máquinas poluentes e são dos maiores consumidores de combustíveis fósseis do mundo e representam menos de 5% da população mundial... Daí querer impor regras a outros enviando-lhes os veículos mais poluentes que têm em stock, vai uma diferença muito grande Esses países que reciclem o sua própria
lixeira depois falem...
De oxarim a 11 de Dezembro de 2010 às 14:17
Não adianta acordar que é preciso agir e depois ficar por aí. Já todos sabemos que enquanto não se conseguir que gigantes poluidores como EUA colaborem esta luta contra o aquecimento global está perdida. Agora já se trata de pressão política e não só de conversas mansas.

vivaverde.blogs.sapo.pt
De marta a 11 de Dezembro de 2010 às 13:40
Indeed, rubbish. Não sei quem estes senhores querem enganhar. Escolhem sempre locais de férias para fazer conferências, instalam-se em hoteis de 5 estrelas, e depois dizem-se preocupados com os indígenas, etc. Tanta hipocrisia. O aquecimento da Terra é algo natura, que vem acontecendo à milhões de anos. Não é aquelo que estes senhore nos querem fazer parecer que é, assustando as pessoas. Querem que compreemos os produtos verdes às empresas vossas amigas? Queren impedir que os países em vias de desenvolvimento se desenvolvam? Pois...
De irritado a 11 de Dezembro de 2010 às 12:23
RUBISH!
De M. Abreu a 11 de Dezembro de 2010 às 10:45
Gostei dos dados apresentados neste resumo, que explicam os pontos positivos e negativos das negociações, que no fundo marcam um «passo em frente» em relação à COP15. Como desafio a todos fica a necessidade de POLITICAS CORAJOSAS capazes de quebrar bloqueios tecno-institucionais ao uso alargado de tecnologia e fontes de energia menos poluentes, como refere o video http://www.youtube.com/watch?v=XBYeDr25WGY

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